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12.7.07


O Fifi, amoroso como é, ofereceu-me este livro. Logo nas primeiras páginas, há duas citações que passo a transcrever:

- "as viagens são uma metáfora, uma réplica terrena da única imagem que na verdade interessa. O viajante peregrino dirige-se para lá do último horizonte, para uma meta que já está presente no mais íntimo do seu ser, embora continue oculta do seu olhar. Trata-se de descobrir essa meta, que equivale a descobrir-se a si mesmo; não se trata de conhecer o outro"

- "o momento mais belo de uma viagem é a recordação"

A primeira é de Javier Moro e a segunda, de Lawrence Sterne.
Fico espantada com a capacidade que certas pessoas têm de descrever aquilo que EU penso e sinto. Não tenho inveja, tenho, isso sim, um prazer enorme em descobrir-me, através dessas palavras.
Obrigada Tozé.

11.1.07

Estados


"E eis-me aqui, diante de mim, nu, andrajoso, suplicante, a alma enregelada e crucificada na cruz destes dias sem nome. Nos olhos, uma fornalha de fúria e uma fome antiga situada não sei em que víscera, essa fome de séculos que é já grito milenário de todas as bocas em mim. Eis-me, pois, aqui, disparando bombas de palavras ao concentrado silêncio da noite. Eis-me aqui, tentando pescar estrelas no poço aberto do firmamento. Eis-me aqui, indefeso e nu, interrogando não sei que morto que vive numa parte de mim... em frente de mim, nu e com o frio de todos os pólos, interrogo-me como se fosse réu e juiz ao mesmo tempo. E as palavras que ouço vêm da minha voz antiga, saída do mais fundo do íntimo, carregada de pedras e de cardos, que grita e se contorce, morre e ressuscita... Mas continuo, indefeso e nu, aqui diante de mim..."
Cristóvão de Aguiar em "Relação de Bordo"

ou como se escreve e se transmite tão bem o sofrimento.

Vale a pena acompanhá-lo, também, aqui.