
Confesso que fui para o Tibete cheia de expectativas, criadas por leituras ou por reportagens televisivas. Era, para mim, um local mítico, o tecto do mundo, cheio de tradições e de grande espiritualidade. A espiritualidade está lá, vê-se em numerosos mosteiros, mas as tradições foram adulteradas pelos chineses, que invadiram Lhasa e as principais cidades do Tibete, impondo o seu modo de vida e um comércio agressivo que floresce em tudo quanto é canto.
É claro que a paisagem é aquela que eu estava à espera, linda, de cortar a respiração. Aquelas altitudes, acima dos 3500 metros, apesar do mal-estar que provocam, tornam o ar límpido, as montanhas têm contornos perfeitamente definidos e o céu é de um azul único.

Em Lhasa, aquele que é considerado o ex-libris da cidade, o Mosteiro Potala, é muito mais impressionante do que eu estava à espera. É lindo e a posição que ocupa na cidade, ainda o torna mais imponente. Apesar do tamanho é de uma graciosidade tocante.

E à noite, apetece ficar ali, numa praça imensa, a olhá-lo, em silêncio.
Todas as noites, às 9 horas, há, naquela praça, um espéctaculo de àgua luz e som digno de ser visto. A água dança, ao som de diversas músicas, respeitando os vários ritmos. Nunca tinha visto um espectáculo assim. Afinal os chineses conseguem, com o seu avanço na técnica, fazer coisas impressionantes.
Ficou-me, de Lhasa, a recordação do mosteiro visto por trás de uma cortina de água, belo e grandioso.

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