9.9.07


Quando, há uns anos, fui à Birmânia e Cambodja, fiquei com uma enorme admiração pela religião budista e seus seguidores. Nesta viagem, por outros países budistas, desencantei-me. Tal como na religião católica, há várias ramificações no budismo. E destas não gostei. Uma coisa que me deixou incomodada foi o ritual funerário a que assisti, no Nepal. Fomos ver um templo, junto a um rio, onde decorrem as cerimónias funebres. Quisemos assistir, já que estava a chegar um corpo.
Junto ao rio, há umas rampas onde colocam os corpos, para que sejam purificados pela água. Descobrem-lhes os pés e põem-nos dentro daquela água imunda, com a qual também lhes molham a cara. Esses corpos são depois colocados em cima de uma pilha de toros de madeira.

Se for o corpo de um homem, quem acende a fogueira é o filho mais velho, se o tiver, se for mulher, que era o caso, é o filho mais novo. Neste caso, o rapazinho não tinha mais de 10 anos e depois de dar 3 voltas à pira, acendeu-a em 4 ou 5 locais. Esta criança fica ali, até à combustão completa e depois varre as cinzas para o rio. Achei aquilo deprimente e perturbador. É certo que costumes são costumes e quem sou eu para achar que os nossos rituais são mais civilizados? Não gostei nada, mesmo nada.
Para piorar a coisa, os rituais no Tibete são ainda mais macabros: lá, os corpos são retalhados e os pedaços são colocados no cimo de um monte, onde são devorados pelos abutres, ritual a que eu não era capaz de assistir, mesmo que se proporcionasse.

Para cúmulo, aqueles dois que estão dentro de água, estão a remover o fundo do rio, com umas peneiras, para recolherem os dentes de ouro dos corpos queimados! Doentio e nojento.
Cliquem nas fotos, para ampliar.

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