27.9.07



A Durbar Square de Bhaktapur está a sofrer um grande processo de restauro. Quando terminar, ver-se-á uma praça monumental, repleta de templos de madeira, e estátuas de pedra.
Estando tão perto de Kathmandu, é estranho ver tanta limpeza. O trânsito não entra na praça e depois da confusão do dia anterior, parecia um pedaço do céu.
Bhaktapur e Patan salvaram, para mim, o Nepal. Se fizerem o mesmo na Durbar Square de Kathmandu, farei as pazes com a cidade.

21.9.07

Rostos II



Já que falaram em cabeleiras...
A 1ª fotografia foi tirada em Kathmandu e a 2ª em Delhi, mas o penteado é igual, apesar de o cabelo estar em direcções contrárias. Alguém quer experimentar? Tu não, Manel, que tens falta de matéria prima.

19.9.07



Ainda a ecologia e o aproveitamento de recursos. Este animal é um yak tibetano, e as suas fezes são recolhidas e coladas aos muros das casas e dos campos para que sequem e sejam depois utilizadas como combustível, para cozinhar. É caso para dizer: iak!

17.9.07


Não foi a 1ª vez que assisti a uma sessão destas. Segundo me explicaram, estas reuniões de monges são para debater ideias e cada um fazer valer os seus argumentos. Mas de ambas as vezes, só fiquei com a ideia de que são uma fantochada para turista ver. Eu sei que não entendo a língua e os debates até podem ser interessantes, mas o aparato não me convenceu.

Em vários locais do Tibete, encontrámos este aquecedor solar. Uma maneira de economizar energia!

14.9.07



Já tinha lido, antes de ir ao Nepal, que Kathmandu era a cidade mais poluída e desorganizada do planeta. Pois bem, não estava à espera do que vi. Tudo aquilo que li e vi em reportagens, fica àquem do que encontrei. Quando saí do autocarro, mesmo no centro da cidade, fui literalmente empurrada para um outro mundo. É muito pior do que alguma vez imaginei. O que me deu vontade, de imediato, foi entrar de novo no autocarro e pedir que me levassem para o hotel, de onde não voltaria a sair, a não ser para voltar para o aeroporto. É indescritível. A confusão, o barulho e os cheiros estão muito perto do insuportável. O trânsito é caótico, com motas, bicicletas, carros e transeuntes carregados ou não, a tentar passar em todas as direcções e buzinas ensurdecedoras a pedir passagem. Estranhamente, tudo anda, sem acidentes.
O lixo é despejado na rua, ou para o rio, sem a menor preocupação. As vacas andam no meio daquela confusão com o maior dos à-vontades, comendo o que encontram no meio daquela imundície.

Demorei algum tempo a recompor-me, ficando só com a preocupação do local onde iria pôr os pés. Insegurança, medo de assaltos, não tive, nesse aspecto sempre me senti segura.
E quando dei por mim, no meio daquele trânsito, sem medo de ser atropelada, achei que sobreviveria à experiência. Estou apta para visitar qualquer cidade do mundo.

13.9.07





Gyantse, a 440km de Lhasa. Aqui, os tibetanos ainda não foram invadidos pelos chineses. Os costumes são os autênticos do Tibete, os habitantes vivem da agricultura e o turismo praticamente não existe. A limpeza não faz parte desses costumes, mas quem sou eu para criticar?
Gostei!

10.9.07



Confesso que fui para o Tibete cheia de expectativas, criadas por leituras ou por reportagens televisivas. Era, para mim, um local mítico, o tecto do mundo, cheio de tradições e de grande espiritualidade. A espiritualidade está lá, vê-se em numerosos mosteiros, mas as tradições foram adulteradas pelos chineses, que invadiram Lhasa e as principais cidades do Tibete, impondo o seu modo de vida e um comércio agressivo que floresce em tudo quanto é canto.
É claro que a paisagem é aquela que eu estava à espera, linda, de cortar a respiração. Aquelas altitudes, acima dos 3500 metros, apesar do mal-estar que provocam, tornam o ar límpido, as montanhas têm contornos perfeitamente definidos e o céu é de um azul único.

Em Lhasa, aquele que é considerado o ex-libris da cidade, o Mosteiro Potala, é muito mais impressionante do que eu estava à espera. É lindo e a posição que ocupa na cidade, ainda o torna mais imponente. Apesar do tamanho é de uma graciosidade tocante.

E à noite, apetece ficar ali, numa praça imensa, a olhá-lo, em silêncio.
Todas as noites, às 9 horas, há, naquela praça, um espéctaculo de àgua luz e som digno de ser visto. A água dança, ao som de diversas músicas, respeitando os vários ritmos. Nunca tinha visto um espectáculo assim. Afinal os chineses conseguem, com o seu avanço na técnica, fazer coisas impressionantes.
Ficou-me, de Lhasa, a recordação do mosteiro visto por trás de uma cortina de água, belo e grandioso.

9.9.07


Quando, há uns anos, fui à Birmânia e Cambodja, fiquei com uma enorme admiração pela religião budista e seus seguidores. Nesta viagem, por outros países budistas, desencantei-me. Tal como na religião católica, há várias ramificações no budismo. E destas não gostei. Uma coisa que me deixou incomodada foi o ritual funerário a que assisti, no Nepal. Fomos ver um templo, junto a um rio, onde decorrem as cerimónias funebres. Quisemos assistir, já que estava a chegar um corpo.
Junto ao rio, há umas rampas onde colocam os corpos, para que sejam purificados pela água. Descobrem-lhes os pés e põem-nos dentro daquela água imunda, com a qual também lhes molham a cara. Esses corpos são depois colocados em cima de uma pilha de toros de madeira.

Se for o corpo de um homem, quem acende a fogueira é o filho mais velho, se o tiver, se for mulher, que era o caso, é o filho mais novo. Neste caso, o rapazinho não tinha mais de 10 anos e depois de dar 3 voltas à pira, acendeu-a em 4 ou 5 locais. Esta criança fica ali, até à combustão completa e depois varre as cinzas para o rio. Achei aquilo deprimente e perturbador. É certo que costumes são costumes e quem sou eu para achar que os nossos rituais são mais civilizados? Não gostei nada, mesmo nada.
Para piorar a coisa, os rituais no Tibete são ainda mais macabros: lá, os corpos são retalhados e os pedaços são colocados no cimo de um monte, onde são devorados pelos abutres, ritual a que eu não era capaz de assistir, mesmo que se proporcionasse.

Para cúmulo, aqueles dois que estão dentro de água, estão a remover o fundo do rio, com umas peneiras, para recolherem os dentes de ouro dos corpos queimados! Doentio e nojento.
Cliquem nas fotos, para ampliar.

6.9.07



Os terraços do arroz, têm um efeito único, na paisagem. E passear no meio deles é uma delícia, com o barulho da água sempre a correr.

5.9.07



As casas, no Butão, são todas semelhantes, cheias de madeiras trabalhadas e pintadas. E enormes, também. O efeito, no meio da paisagem é muito bonito.
Quem herda a casa de família são as filhas. É suposto os homens fazerem pela sua vida e arranjarem casa. Os casamentos não são combinados e em alguns locais a poligamia e a poliandria são praticadas.

Todos os habitantes devem usar o traje oficial, Gho, para os homens e Kira para as mulheres, em público. Os funcionários públicos usam, ainda, uma espécie de xaile atravessado, variando a cor de acordo com a posição que ocupam. Será um pouco estranho, para nós, mas é assim que funciona.

4.9.07

O Butão é uma monarquia em fase de transição. O Rei Jigme Singye Wagchuck abdicou, em 2006, a favor do seu filho de 26 anos. Em 2008, o regime será substituído por uma democracia, com eleições nesse mesmo ano. Esta decisão do monarca não foi vista com agrado pelos habitantes do país, que prefere continuar como uma monarquia. É um povo pobre, mas feliz. Aliás, esse rei, num discurso feito na ONU, disse que instituiu no país, a FIB (felicidade interna bruta), colocando o bem estar dos súbditos acima de qualquer outros interesses nacionais. E deve tê-lo feito, ou não seria respeitado como é.
O número de turistas a quem é concedido o visto, não ultrapassa os 7000, por ano. Considero-me, por isso, uma privilegiada, por ter conhecido esse povo genuíno e puro.
Este mosteiro, Taktsang, ou o Ninho do Tigre, fica situado em Paro, a segunda cidade do país, logo a seguir a Thimphu, a capital. Chegar lá não é fácil, mas não é impossível e a vista sobre o vale merece o sacrifício.